
06 Mar, 2026 · Diagnóstico · Por Dr. Edson Araújo
Os rins são órgãos discretos, mas que cumprem funções essenciais no nosso corpo: filtram o sangue, eliminam toxinas e ajudam a manter o equilíbrio do organismo. O problema é que, quando algo começa a não ir bem com eles, raramente surgem sintomas no início. Por isso, costumo dizer aos meus pacientes que a melhor forma de cuidar dos rins é não esperar sentir nada e, sim, acompanhar a saúde deles por meio de exames simples e acessíveis.
O primeiro grande aliado nessa avaliação é o exame de sangue. Nele, medimos a creatinina, uma substância produzida naturalmente pelos músculos e eliminada pelos rins. Quando a função renal está reduzida, a creatinina tende a se acumular no sangue. A partir desse valor, e considerando dados como idade e sexo, calculamos a taxa de filtração glomerular (TFG), que é uma estimativa de quanto os rins estão conseguindo filtrar. A TFG é uma das informações mais importantes para entendermos como está o desempenho renal em determinado momento.
O segundo exame fundamental é o de urina. Ele permite pesquisar a presença de proteínas (a chamada proteinúria) e de sangue, que muitas vezes não é visível a olho nu. A perda de proteína pela urina pode ser um dos primeiros sinais de que os rins estão sofrendo algum tipo de lesão, mesmo quando a pessoa se sente perfeitamente bem. Por isso, o exame de urina complementa o de sangue e, juntos, oferecem um retrato mais completo da saúde renal.
Vale reforçar um ponto que considero central: a doença renal costuma ser silenciosa. Em muitos casos, os rins podem estar perdendo função de forma gradual sem causar dor, inchaço ou qualquer desconforto perceptível nas fases iniciais. É exatamente por esse caráter discreto que os exames têm tanto valor. Eles conseguem identificar alterações antes que elas se tornem mais sérias, abrindo espaço para um acompanhamento adequado e para mudanças que ajudam a preservar a função dos rins.
Algumas pessoas têm mais motivos para ficar atentas. Quem convive com diabetes ou hipertensão, quem tem histórico familiar de doença renal ou quem faz uso frequente de anti-inflamatórios pertence a um grupo com maior chance de desenvolver problemas nos rins. Para essas pessoas, realizar exames preventivos com mais regularidade é uma atitude de cuidado, não de preocupação exagerada. A frequência ideal deve ser sempre definida individualmente, em conversa com o seu médico.
É importante lembrar que esses exames não substituem a consulta. Os resultados precisam ser interpretados dentro do contexto de cada pessoa, considerando histórico, hábitos e outros fatores. Um valor isolado, fora do conjunto, pode gerar dúvidas desnecessárias. Como nefrologista, recomendo que os números sirvam de ponto de partida para uma avaliação cuidadosa, e não como um veredito automático. São essas informações que orientam o nefrologista a entender o que está acontecendo e a chegar a um diagnóstico precoce, quando necessário.
A boa notícia é que cuidar dos rins está, em grande parte, ao nosso alcance. Exames simples de sangue e de urina, feitos com regularidade e interpretados por um profissional, são ferramentas poderosas de prevenção. Se você tem fatores de risco ou apenas deseja conhecer melhor a saúde dos seus rins, converse com seu médico e considere um acompanhamento com um nefrologista. Cuidar cedo é sempre o caminho mais seguro e tranquilo.
Tem dúvidas sobre sua saúde renal? Converse com o Dr. Edson Araújo e agende uma avaliação especializada.
Agende sua consulta